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Manhã fria e céu de brigadeiro. Inverno de 1990. Terras de Santa Thereza do Porto Firme. Zona da Mata de Minas Gerais. A família reunida em volta do alambique, aquecendo-se junto à fornalha, aguarda ansiosa a corrida da primeira cachaça, prestes a ser destilada. Separada a primeira parte (A cabeça), colhe-se o primeiro chorinho do coração da cachaça. Esta, sim, a parte nobre da destilação. Ainda quente, todos degustam com euforia, o resultado daquele sucesso. Nós também sabemos fazer cachaça! A jarra com a branquinha agora em uma temperatura mais agradável, passa de mão em mão. Enquanto se deliciam com nacos de lingüiça assada na fornalha, iam sugerindo, entre um gole e outro, os nomes de batismo para a recém nascida aguardente de qualidade. Dona Thereza, com uma prancheta, anota as sugestões, para depois, por eliminação, selecionar os nomes preferidos e por aclamação, finalmente chegar ao nome definitivo. ‘Na mesma hora, desvia-se a atenção para um vizinho que chegava, dirigindo um respeitoso “bom dia” e cumprimentando a todos com um leve toque de dedos – costume local. Eh! S’Orlando! Eu vi a fumaça do alambique lá di casa e tratei logo de arriá a égua, pegá meu litrim e corrê até aqui, prá porvá a pinga e sabê si oceis mi vendi um litrim dela! O neto de seis anos, que acompanhava toda a conversa, atalha na frente: Si sobrá, nóis vendi! Todos se entreolham, surpresos, chegando, às gargalhadas, à unânime conclusão: a cachaça já estava batizada: SI SOBRÁ, NÓIS VENDI. |
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