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Festival Anual da Cachaça – Sabará – MG – 1993: O Festival de Sabará era realizado sempre na semana que precedia o carnaval. Assim, a cidade vivia duas semanas de muitas festas. Nesse ano, concorremos, pela primeira vez, com a nossa marca: VELHA AROEIRA. Por sugestão até do Ministério da Agricultura, deve-se optar por um nome mais sóbrio, fazendo jus às aguardentes de qualidade, que desprezam nomes folclóricos para escapar da fama de que quem aprecia uma boa aguardente é cachaceiro. Novamente, voltamos à lida de encontrar um nome sugestivo para a nossa marca. E nova lista de nomes é organizada por dona Thereza. Fustigando um pouco a imaginação, lembro-me de um comentário dos antigos moradores: diziam que, no local onde foi construído o alambique, havia um velho tronco podre que teria sido uma frondosa aroeira do sertão. Recordei ainda de uma canção que meu pai costumava cantar, cujos versos diziam: Toma cuidado, caçadô, com a sussuarana, Anda trepada lá no gaio da aroeira. Eu vinha vindo com o carro cheio de cana, Ai, que susto, quando cheguei na portêra. Sugeri, então, VELHA AROEIRA, nome aprovado por unanimidade! Um artista de Viçosa, amigo do meu filho Humberto, brindou-nos com mais sugestões para o rótulo, das quais elegemos a que se mantém até hoje. Diante das constantes afirmações dos especialistas em exportação de que a melhor embalagem era a de 750 mililitros, decidimos trabalhar com ela e também com a de um litro, mais fácil de encontrar. Assim, sem a menor pretensão, chegamos ao Festival de 1993. O critério de seleção é infalível: os fiscais da Ampaq fazem a coleta das amostras das marcas participantes, em garrafas da cor âmbar esterilizadas, da cor âmbar, escolhendo, aleatoriamente, na exposição de cada concorrente, um litro para transferir às garrafas. Estas apresentam um número identificador e dois envelopes lacrados com o número do participante: um fica com a comissão de julgamento, colado à garrafa, e o outro é entregue ao participante. Os degustadores, nos camarotes do teatro, recebem em uma bandeja, em copinhos de dose também da cor âmbar (para ocultar a cor da cachaça), as amostras para degustação e notas. Cada degustador só pode provar seis marcas por dia, para não comprometer o julgamento. No penúltimo dia, sempre no sábado à noite, é feita a apuração. Quando são anunciados os números dos vencedores, inversamente a partir do terceiro lugar, a nossa marca é consagrada com o primeiro lugar. Tratamos logo de esconder alguns litros, porque uma multidão invadia nossa barraca e prometia levar todo o nosso estoque! Aí, junto com os amigos e conforme a tradição, iniciamos uma via-sacra, de barraca em barraca. O Walter, da Germana, só se deu por satisfeito depois de me dar um banho de cachaça, como aquele que os pilotos de Fórmula-1 tomam no pódio, só que com champanhe! Na segunda-feira cedo, quando vou ao banco depositar a féria, passo vexame: as cédulas e os cheques cheiravam à cachaça! É fevereiro de 1993. Cuidamos, então, da regularização fiscal da microempresa: inscrição estadual, municipal, CGC (hoje, CNPJ), Registros no Ministério da Agricultura (do estabelecimento e do produto), etc. etc. Para se comprar o selo de controle do IPI, é necessário um documento do Ministério da Fazenda, o Ato Declaratório. A maldita burocracia joga nossos requerimentos de Viçosa para Juiz de Fora e vice-versa, sem nada resolver. Irritado com esse entrave e perdendo a oportunidade de promoção que o concurso de Sabará nos dera, envio um fax ao então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Este o encaminha para o secretário da Receita Federal, Ozires Silva, que o despacha para a Secretaria de Administração, solicitando providências. E assim justifica: Trata-se de um caso inusitado: o homem quer, simplesmente, pagar imposto. Só em dezembro conseguimos selar os primeiros litros e extrair as primeiras notas fiscais. Um pouco tarde, pois foi por água abaixo toda promoção que o Festival de Sabará nos proporcionaria. Festival Anual da Cachaça – Sabará – MG – 1995 Em 1994, apesar de participarmos do Festival, não podemos concorrer, porque os ganhadores anteriores estão automaticamente excluídos do concurso. Em 1995, a Diretoria da Ampaq (com o Walter no comando) resolveu liberar para todas as marcas, justificando os 10 anos de fundação da entidade. A verdade, no entanto, conforme comentário geral, era que a Germana tinha alguns tonéis com 10 anos de envelhecimento e contava, assim, com a vitória certa. Tanto o é, que o troféu do ano era, nada mais nada menos, que uma estatueta de bronze reproduzindo a figura do pai do Walter, fundador da Germana. Esta estatueta hoje repousa imponente no escritório das Terras de Santa Thereza do Porto Firme, uma vez que ganhamos o concurso pela segunda vez ! |
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